ENTREVISTA ALDAIZA SPOSATI

SOBRE ALDAIZA SPOSATI

Aldaiza Sposati é atualmente professora titular da PUC-SP – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e Coordenadora da Universidade Bandeirante de São Paulo.

Possui graduação, mestrado e doutorado em serviço social e pós-doutorado em política social. Já foi vereadora de São Paulo e chefe da Secretaria da Ação Social durante a gestão de Marta Suplicy. Participou ativamente da concepção do Projeto Boracéa. Quando vereadora fez o projeto para a atual LOAS – Lei Orgânica da Assistência Social (Lei Federal nº 8.742, de 07/12/93). Atua nas áreas de estudo sobre pobreza, assistência social, política social, gestão municipal e Governo da cidade de São Paulo.

DESENVOLVIMENTO DE POLÍTICAS EM RELAÇÃO AOS MORADORES DE RUA

Na década de 90, na gestão Luiza Erundina, há o início da atenção em relação à população em situação de rua com a necessidade de um espaço para o trabalho social e centros de serviços, que contrapõem o tratamento sem dignidade destinado anteriormente aos moradores.

Através de pequenas intervenções como o uso de talheres nas refeições, roupas de cama, buscou-se introduzir a dignidade na vida dessas pessoas. Além da criação de algumas políticas públicas para a restauração da vida, com parcerias com outras secretarias como a da habitação.

O projeto Oficina Boracéa sintetizou esse conjunto de ideias e possibilidades.

PROJETO OFICINA BORACÉA – ETAPAS DE PROJETO

O desenvolvimento de um projeto complexo como a Oficina Boracéa envolveu diversas etapas, sendo que a primeira consiste na identificação do agente social que são os moradores de rua, caracterizados como uma população heterogênea que provêm de uma trajetória de perdas, de forma que as diretrizes para o projeto foram a criação de um fluxo de alternativas.

O conceito de serviço aberto, com a livre circulação nos espaços, surgiu da percepção de que restrições impostas à entrada dos moradores em determinados albergues devido a carrinhos, animais de estimação, além de horários fixos, resultavam na permanência de alguns moradores na rua.

A importância da reinserção do morador de rua na sociedade através de aulas de cidadania e capacitação através dos equipamentos escolas, deu o caráter provisório ao projeto, de forma que os dormitórios possuíam divisórias de tecidos a fim de estimular os moradores a serem reinseridos na sociedade e não permanentes no local.

Os serviços desenvolvidos no projeto estavam voltados para atender o conjunto da rede, e não apenas o equipamento da oficina. Dessa maneira criaram-se cooperativas de trabalho como o restaurante escola, a lavanderia e a área de reciclagem.

Além da capacitação profissional e contato com a sociedade, Sposati ressalta a importância das aulas de cidadania e da arte para a reconstrução da vida e saída da rua.

Localizado em uma região central, o Boracéa atualmente possui uma circulação restrita, seguindo a política atual em que os equipamentos atrairiam a população de rua, dessa forma há uma concentração de pessoas sem mobilidade na Oficina.

SAÚDE

Um dos principais problemas em relação aos moradores de rua é o consumo do crack. De acordo com Sposati a disseminação do consumo ocorreu principalmente depois da segunda metade da primeira década de 2000, devido a popularização da droga e possibilidade de compra por parte dos moradores com sua restrita capacidade financeira.

Desenvolve-se na área da saúde a Estratégia de Saúde de Família, que atende pessoas em situação de rua, através da atenção psicológica junto com a parte física.

AGRADECIMENTOS

Agradecemos a disponibilidade e atenção dispensadas ao nosso grupo pela Professora Doutora Aldaiza Sposati, para a realização dessa entrevista.

ENTREVISTA REALIZADA EM 11/06/2012

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