2. A DENÚNCIA

“O ESPAÇO É FORMADO POR UM CONJUNTO INDISSOCIÁVEL, SOLIDÁRIO E TAMBÉM CONTRADITÓRIO, DE SISTEMAS DE OBJETOS E SISTEMAS DE AÇÕES, NÃO CONSIDERADOS ISOLADAMENTE, MAS COMO O QUADRO ÚNICO NO QUAL A HISTÓRIA SE DÁ”

MILTON SANTOS. A NATUREZA DO ESPAÇO, P.39

Espaço público dinâmico: RUA. Seu conjunto constitui malha que forma o sistema circulatório do ser vivo que é a CIDADE. O caráter que pode ter e suas formas de ocupação são as mais diversas. Neste trabalho abordamos a RUA observando os que nela vivem – por motivos diversos e adversos – denominados moradores de rua. Para tomar como referência uma localização urbana, escolhemos o centro de São Paulo. A diversidade de interesses nessa área – por parte da gestão, de emprendedores e da população – faz com que o fenômeno social “morar na rua” seja discutido sobre “argumentos” diversos.

Nossa intenção desde o início do trabalho foi a compreensão do fenômeno “morar na rua”.

A partir de dados demográficos, quem são esses indivíduos?  Por que estão na rua? Como interagem com o espaço da rua, como sobrevivem?

O segundo bloco de questionamentos colocados foi relacionado às políticas públicas de inclusão social. O que tem sido feito para de fato permitir ao morador de rua condições de se restabelecer, “sair” da rua?

A  partir do dado social, no caso específico do centro de São Paulo, como as gestões municipais têm encarado tal fenômeno social? Como os interesses políticos e imobiliários nessa área “esbarram” na paisagem ocupada por moradores de rua?

O terceiro bloco de investigação do trabalho foi a “imagem” dos moradores de rua veículada pela mídia. Os meios de comunicação têm papel fundamental na formação de opiniões tendenciosas, que por vezes, favorecem determinados grupos sociais. O morador de rua frequentemente é associado à imagem do “vagabundo”, “bêbado”, o “mendingo” o indivíduo que denigre a paisagem da rua.

E com todos esses pontos analisados ao longo de 4 meses, esse “blog” foi visto como uma possibilidade de ampliar a discussão da equipe para os interessados. Queremos evidenciar o caráter de denúncia dos fatos. Indo no sentido oposto da alienação induzida, queremos provocar o questionamento.